28 junho 2007

Preparando trampolins
Existem motivos de sobra para as conspirações que começam a ser feitas nos bastidores entre caciques dos partidos,governadores, parlamentares, prefeitos e demais políticos interessados nas eleições municipais do próximo ano.A definição dos prefeitos antecipa dois anos antes não só a tendência do resultado da corrida presidencial mas também da escolha de governadores, senadores e deputados federais.É por isso que todos os pré-candidatos aos governos estaduais, ao Palácio do Planalto, Câmara e Senado em 2010 — e não apenas os que pretendem chegar às prefeituras e câmaras municipais em 2008 — estão de olho nesses movimentos.
O posicionamento na largada torna- se mais importante diante das circunstâncias especiais em que se dará a corrida presidencial daqui a três anos, quando Luiz Inácio Lula da Silva não estará entre os candidatos — diferentemente do que ocorreu nos últimos vinte anos —, e cresce a possibilidade de a disputa se dar sem a participação de nenhum outro paulista.Apesar do empenho do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), em ocupar esse lugar de destaque na legenda, cresce o nome do outro presidenciável tucano, o governador mineiro Aécio Neves.
A conjuntura daqui por diante fica ainda mais rica com a discussão, no Congresso Nacional, do casamento de mandatos para todos os cargos no Executivo e Legislativo nas três esferas de governo.Se a proposta vingar, uma das conseqüências possíveis é a prorrogação dos atuais mandatos de prefeitos, vice e vereadores.
Os eleitores não sabem disso,mas quando votarem no ano que vem — o primeiro turno será em 5 de outubro — estarão reforçando ou detonando pré-candidaturas ao Palácio do Planalto e, a reboque, desenhando o mapa dos governos regionais. Ou seja,pavimentando trampolins para vôos mais altos.“Desde a redemocratização, as eleições de prefeitos funcionam para os partidos como um ensaio das eleições gerais,pois determina as apostas que os partidos farão no pleito eleitoral de governadores e presidente da República”, afirma o cientista político da equipe da Tendências Consultoria,Rogério Schmitt. Nesse sentido, é um divisor de águas, já que diante da força do voto os demais argumentos ficam menores.
Paulo Krammer,da Krammer e Ornelas Consultoria, ressalta que desde o primeiro governo Fernando Henrique Cardoso a preferência do eleitorado diante das opções ofertadas para as prefeituras funciona como uma previsão afinada dos votos para cargos mais relevantes dali a dois anos.“Essa característica está ficando ainda mais aguçada agora, quando o próprio presidente Lula contribui para esquentar a já precipitada sucessão presidencial.“Está mais do que clara a intenção de Lula de influir decisivamente para fazer o seu sucessor”, acrescenta Krammer, lembrando que, teoricamente, esse clima deveria surgir daqui a dois anos.
O desempenho dos partidos nas eleições para prefeito também decide a sorte da coalizão de governo.Por isso, é previsível que depois de outubro do próximo ano uma nova reforma ministerial aconteça. “É razoável pensar que a coalizão dos onze partidos que sustenta o governo vai diminuir de tamanho. As legendas menos alinhadas à situação começam a se mexer para lançar candidaturas próprias aos governos estaduais e à sucessão presidencial”, analista Schmitt.
Paulo Ziulkoski: muitas condições no calendário eleitoral
Nesse sentido,se o PMDB — o aliado essencial do segundo mandato do presidente Lula — se sair muito bem das urnas,poderá aumentar seu apetite para concorrer com candidato próprio à sucessão presidencial em 2010 e, com isso, retirar o apoio da legenda ao nome do PT, como quer hoje o Palácio do Planalto. E isso determinará a redução de seu espaço na Esplanada dos Ministérios. E se o desempenho dos peemedebistas não for condizente com sua participação nos cargos federais, correrão o risco de perder alguns dos ministérios ocupados desde a última reforma ministerial.
Por tudo isso,os políticos estão começando a “ir à feira” com mais freqüência, como dizem os nordestinos para designar esse momento em que, com uma certa antecedência, começam a pensar na eleição seguinte, tentando auscultar qual será a preferência do eleitorado nas urnas. Do ponto de vista partidário, as atenções maiores estão concentradas para o desempenho nas capitais e grandes municípios, que contam mais para fins de montagem da estratégia eleitoral de maior peso.No final de outubro de 2008,passos significativos estarão dados no que diz respeito às definições partidárias e de alianças para as précandidaturas ao Planalto, ao Congresso e aos governos regionais.
Outro teste importante será uma espécie de “prova dos noves” da atual liderança política inconteste de Lula. “É no município que as coisas de fato acontecem e o eleitorado manifesta sua real avaliação, até mesmo sobre as instâncias mais distantes do poder, como é o caso da administração federal”, sublinha o analista da Tendências. Para os observadores mais atentos da cena política, a contagem dos votos nas urnas de outubro do ano que vem apontarão com algum grau de exatidão se o presidente conseguirá ou não eleger seu sucessor, como tanto deseja. Ou se a oposição terá mais chances de emplacar o ocupante do cargo mais cobiçado do país.
Eleições municipais de 2007 são vistas como um termômetro para as majoritárias de 2010 e já provocam intensa movimentação entre políticosPor Liliana Lavoratti
Em breve, os eleitores perceberão as estratégias e movimentos deflagrados rumo ao Planalto ser moldados pela enxurrada de pesquisas de avaliação das administrações em curso, com o objetivo de medir o potencial dos précandidatos. De acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), 75% dos prefeitos exercem o primeiro mandato e,portanto,em tese, podem se candidatar à reeleição.Como boa parte deles não quer continuar no cargo — entre os motivos, os acordos políticos anteriores —, será bem menor o porcentual que tentará mais quatro anos no cargo. Os 25% restantes cumprem o segundo mandato e, portanto, não podem ser reeleitos.
Para que o exército calculado em cerca de 1,5 milhão de candidatos a prefeito e vice-prefeito — uma média de treze em cada município — e às 52 mil vagas existentes nas Câmaras de vereadores saia às ruas em campanha a partir de meados do próximo ano,uma série de providências começa a ser tomada desde já. A primeira delas tem data marcada: até 4 de outubro; ou seja, daqui a cinco meses vence o prazo de filiação partidária para aqueles que querem se candidatar.Segundo a legislação eleitoral,para disputar um cargo eletivo o candidato precisa estar filiado a uma legenda pelo menos doze meses antes da eleição. A movimentação de candidatos, de um partido para outro, deve se intensificar daqui para a frente.

Nenhum comentário: